domingo, 15 de março de 2015

POR QUE VOCÊ SE MANIFESTA?

                        É assim que faço meu protesto todos os dias, dentro de uma sala de aula, ensinando àqueles que de fato sentirão os reflexos de nossas escolhas, a pensar, a questionar e a exigir.
                        Agora, pergunto para os pais que levaram seus filhos para a manifestação de hoje e ao pais que ficaram em casa, se explicaram suas escolhas, sem se utilizar de mimimi partidário, para aquelas crianças e adolescentes. Quantos se deram ao trabalho de utilizar alguns minutos de seu dia para pesquisar (pessoas, depois do advento da internet, só fica na ignorância quem escolhe) sobre termos e situações políticas ao longo de nossa história?
                    O que mais tenho visto são manifestações extremistas sem nenhum embasamento político ou histórico, pessoas berrando a plenos pulmões a volta de um sistema cruel, cheio de crimes no currículo, onde muitos sofreram, seja com a perda de um ente querido, com a perda da identidade pessoal ou com a perda da vida.
                        Vi em uma faixa a utilização de um símbolo nazista acompanhando dizeres contra o governo e não compreendi qual a relação de uma simbologia tão forte, que remete a tempo tão cruéis com a ideia de manifestação pacífica. 
                       
Queridos, saiam ás ruas sim, manifestem-se, exijam mudança, mas não me venham com essa palhaçada de "volta a Ditadura", pois tenho certeza que mais da metade daqueles que clamam por seu retorno, nem imaginam quais serão os reflexos desse desejo.
                        

sábado, 9 de agosto de 2014

FELIZ DIA...

Posso me considerar uma pessoa sortuda. Quando trato de sorte, ignoro as questões financeiras, pois essas são conquistadas diariamente com muita luta. A sorte que me faz seguir, essa foi o Universo que me presenteou, assim, sem me cobrar nada em troca.
Nasci em uma família totalmente diferente, onde o amor transborda de uma maneira particular, que poucos compreendem e é nessa diferença que minha sorte habita.
Fui premiada com 4 mães e 2 pais. Pode parecer loucura, mas é um fato real, fui criada por todos, sou produto dessas pessoas magnificas que me permitiram (e ainda permitem) ser Andressa, sem limitações.
Hoje, inicia-se mais uma daquelas datas comerciais, que fazem o comércio bombar, mas como sou filha deles me dou o direito de criar meu motivo para comemorar esse dia. Minha comemoração vem combinada com a saudades e um pedido de desculpas.
Saudades dele, o homem do sorriso largo, que vestia aquela malha amarela e parava o próprio mundo apenas para me ver sorrir.
As desculpas vão para aquele com quem todos dizem que pareço fisicamente, mas que acredito que vai além, que nossa essência, de alguma forma se completa.
Não acredito que existam pais perfeitos, pois não existem filhos perfeitos. Mas existem pais e filhos que são cúmplices, que no momento em que você precisa fugir do que te machuca, é seu pai que carrega sua bagagem e te apoio, e isso torna as relações (mais defeituosas) perfeitas.
Depois de muito digerir momentos e situações, percebo que muitos tinham razão, somos muito parecidos, especialmente na teimosia e isso faz com que, mesmo com a distância, jamais ocorra o esquecimento.
O Universo me presenteou com um mundo de amores diferentes e cansei de dispensar isso.
Vô, há algum tempo a tristeza se tornou apenas saudades, hoje aguardo nosso encontro com todo entusiasmo de quem sabe que foi amada incondicionalmente.
Pai, não importa o que passou, decidi viver para as felicidades presentes e futuras, e faço total questão da sua presença em todos os momentos em que meus lábios soltem sorrisos e meus olhos, lágrimas de felicidade. Sei a dor da distância imposta pela vida, não aceito mais a dor imposta por mim sem motivos, por isso venho por meio deste, afirmar sua importância para que eu conquiste a real felicidade.
Te amo!  

quinta-feira, 20 de março de 2014

NÓS...


Seu corpo reage,
Arrepia...
Mãos,  dedos, cabelos entrelaçados...
Ah, pernas e o desejo...
Te sinto,  como numa dança,
Respiração acelerada, sussurros
Sentidos aguçados
Você, causadora dos meus sonhos
Trouxe-me a vida
A ti me entrego...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

ESTÓRIAS CARNAVALESCAS

Incrível princípio
Assim começa mais uma semana
Palavras sinceras que me desagradaram
Fizeram com que eu entendesse que o oposto precisa existir
"Se não for construtiva, não é crítica" exclama um jovem
Decidi defender essas palavras, que eles tenham direitos
Mais um saudoso carnaval se inicia, esperançoso
Um tanto preguiçoso, sigo cantando

Alalô ô ô ô ô...

sábado, 7 de dezembro de 2013

...


Mesmo em meio as tormentas das nossas pesornalidades, nos pertecemos
Separadas, seguimos juntas
Pois somos a fibra,  a luz, mesmo fraca, que guia nossos caminhos
Perante nosso  destino devemos encarar e aceitar
Somos nossas melhores companhia

as amo e .

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

!!!!!!

E assim, o sentimento se esvai
Abandona o corpo aos poucos
(Sobram resquícios)
Meu corpo já não reage mais
Minha mente não te busca com tanta frequência
A cadência do meu coração não acompanha mais o seu respirar
Tudo transformou
O amor caminhou por todo meu corpo
Habita outro lugar
Os espaços que dediquei se cerram
O tempo foi justo, claro, forte
Produziu machucados nunca sentidos
Ensinou
Agora me ergo e sigo
Novos ambientes, novas pessoas, novas dores
Expectativa por novas sensações
Abro a porta e te deixo ir
Foi bom o seu amar

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

SAUDOSAS SAUDADES...

           Hoje ela me invadiu, mas dessa vez não amargou meu coração,  na realidade fez com que ele batesse mais forte.
           Saudade, sentimento indecifrável. Surge nos acasos da vida. Num susto, se apossa dos pensamentos,  fazendo com que cada célula do corpo acorde e sinta.
           Alucinógeno natural, combinado ao amor, causa efeitos colaterais gravíssimos.  Choro descontrolado, dores inexplicáveis no peito, suor em excesso,  às vezes a boca amarga, às vezes adoça.
          Coração ora bate acelerado, ora acalma. Picos de sensações diversas e adversas. Mas, depois de um tempo o corpo acostuma, a mente aceita, compreende.
           A vida é cíclica. O fins acontecem, abrindo espaço para novos começos.
           Ao ouvir Cartola me intimando a ver o céu com toda sua leveza poética senti novamente. 
          Saudades, maior posseira do meu coração, grande companheira, no passado te odiei, mas a intensidade do momento fortalece minha memória e me guia.
           Aceito sua presença e sigo cantando (baixinho, pois não sei cantar) ao mundo os sabores daqueles dias.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

AMOR DE PASSARELA


 "Conversas cirandam
Rostos, olhares, gestos,
As energias, em movimento, unem ideias
Entre salvamentos e melodias que perfumavam o ar
Encontrei seu sorriso...
Ah, o seu sorriso, retrato da felicidade
Posso mirar por toda noite sem me cansar.
Você, causadora do meu melhor
Da ausência a permanência total do sono
O caos, a vida, o beijo
Tudo pára
Te deixo meu olhar
A expressão mais sincera..."


domingo, 30 de junho de 2013

HOJE reCOMEÇO O CONTAR...


Hoje começa a contagem regressiva. 
Me despeço dos sorrisos, dos palpites e das posições estranhas. Vi braços desenhando abraços sinceros, olhares de até logo e aquele sentimento de saudade que surge na despedida. Espio o futuro próximo pelas grades.
Liberdade... a busca pela leveza daqueles dias recomeça... a espera ansiosa pelas risadas, pelo descobrimento de novas expressões, tudo tentando escapar, fugir por todos os poros de meu corpo.
Vou ali e logo volto, preciso respirar, nem que seja por um segundo. 
Na volta espero os braços abertos, novas histórias, nossas conversas... te espero.
Hoje começa a contagem regressiva.
Novas cores, odores, dores e amores. Início a busca pelo interior, pelo auto-conhecimento. Curo as feridas da alma, admiro as cicatrizes do corpo... minhas marcas.
Adormeço no mesmo espaço do passado, escuto vozes informativas, dicas de um ombro bom.
Me envolvo nos sonhos, nos laços das relações surgidas, nas lembranças do que se foi... passou.
O antigo, o novo, a intensidade da cor e a ausência do sabor criam um cenário único em minha mente.
Sensação de noite de ano novo... Fecho os olhos e começo a contar... 10 9 8 7 6...

quinta-feira, 20 de junho de 2013

VEM PRA RUA, VEM...

             
        Há muito não escrevo nesse espaço, pois achei que tinha perdido as palavras, mas nos últimos dias as encontrei presas em meu peito. Coloquei tudo pra fora, cuspi cada sentimento que me sufocava, não quero mais me calar.
        Não acreditava que estaria viva para ver tamanha cordialidade nos atos da multidão, vozes unidas, sem preconceitos e julgamentos. Utopias a parte, senti que as coisas estão mudando, não sei quanto tempo levará, mas sei que algo se transformará.
        Todos estão participando, cada um da sua maneira. Fiquei orgulhosa em saber que mesmo com uma idade avançada, minha vó foi, junto de minha mãe, para a Onda da Paz que aconteceu em Santos, apoiar a ideia de igualdade para todos, de que podemos mudar.
       Podemos ser a geração Coca-cola ou Facebook, podem chamar como bem entender, mas nos movimentamos, saímos da inércia social, nos unimos pelo bem da nação, tentando banir o individualismo político e suas politicagens, enchemos as ruas, lutando pelo bem geral.
           Tentaram desacreditar o movimento, acabar com nossas ideias e com a nossa força, mas dessa vez não nos abatemos, mesmo em meio a destruição material e moral cometida por alguns ignorantes.
         Desejo que o que vimos não seja mais um ato de imediatismo do povo brasileiro, que a nação continue unida por pelo bem estar de todos e promovendo a paz.
              Parafraseando Jorge Ben, digo que "Eu vou torcer pela paz, pela alegria, pelo amor..."



domingo, 13 de janeiro de 2013

COM CALMA, COM ALMA...

           
  
                         
                         Busquei o silêncio. Preciso dele para começar, é muito difícil mudar tanto, abandonar alguns vícios, perceber que alguns dramas não valem o sacrifício da discussão.

                 Tudo aconteceu quando entendi, devo respirar mais e falar menos. Estou na vivendo da mudança, da transformação. As palavras saem sem sentido, mesmo quando respiro, quando pondero o que devo colocar. Tento organizá-las em minha mente, para que eu possa compreender o que preciso dizer, como seguir em frente.

                        Dias de busca, mantras entoados, bons pensamentos e o silêncio, que esteve sempre entre as memórias, saudades e lágrimas. Busquei o silêncio quando tentava abandonar o lado atriz dramática. Chega, isso cansa, causa rugas. A sensatez da ausência de sons te permite pensar, analisar com clareza.

                       Lembrei das simples palavras de uma amiga, "com calma, com alma", e finalmente entendi que é assim que devo viver, aos poucos e com toda a alma.
              

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

APENAS DESEJOS...

         Queria que as palavras saíssem do meu corpo com a mesma facilidade que as lágrimas. Queria que o amor fosse tão fácil quanto fazer um bolo. Queria que as conversas sérias pudessem acontecer com sorrisos. Que a solidão fosse uma festa. Que a distância se resolvesse com uma fotografia.
         Queria que a saudade só existisse por uma hora e que os beijos durassem semanas. 
         Queria que os sonhos mais loucos virassem realidade, que ao fechar os olhos, tudo se acertasse.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

SALVE O CORINTHIANS...



      

    Hoje tudo remete àqueles tempos passados. O bolo de cenoura, a sensação alegre de vitória do Corinthians, a lembrança de seu abraço que cheirava a café e cigarro.

Saudades daqueles dias onde as coisas eram simples, os dias mais longos, as pessoas eram mais alegres e a família, mais próxima.

Muito tempo se foi desde a última vez passei por aqui revirando a memória. Achei que tivesse esquecido, senti medo (para mim, o esquecimento é a pior morte).

Tive um estalo, um cheiro no ar, uma recordação única. Sensação maravilhosa, vontade de ligar e ouvir aquela risada gostosa do outro lado da linha enquanto aceito a derrota e o parabenizo pela vitória de seu time.

Hoje presenciei um fato histórico, que traria aquela sensação alegre já citada. Mesmo palmeirense, me sinto feliz pela vitória e canto aquele hino que meu avô me ensinara:

"Salve o Corinthians, campeão dos campeões (...)"

domingo, 22 de abril de 2012

O LOUCO SABOR DE BUENOS AIRES


Remeto-me à loucura, a base de todos meus escritos e pensamentos desnecessários. Loucura que me leva a pensar, a questionar minha existência.

Ao pensar no que vivi, declaro que fiz tudo pelas loucuras da vida. Mas não pensemos em loucuras nocivas, pensemos nas loucuras da saudade, da curiosidade, nas loucuras que nos fazem enxergar o mundo com outros olhos.

Tenho passado os dias me despedindo de Buenos Aires, dos espaços, das imagens, dos desejos que conquistei aqui, e isso tudo só percebi, pois os devaneios que a saudade que não tem remédio causa me fizeram enxergar as coisas além dos olhos. Enlouqueci. Senti cada fibra de meu corpo se transformar, porém, era como se aguardasse essa mudança por toda minha vida.

Preenchi meus dias de ideias e ideais, respirei a tão amada arte. Me descobri, aceitei o que sou. Encontrei meus reais pudores, descumpri com regras impostas pela criação. Desorganizei o externo e arrumei o interno.

Entro leve na nova vida.

Estive nos lugares desejados, conheci tipos únicos, senti, saboreei cada parte. Olho o que passei com orgulho, tenho história. Mas não quero história para contar aos meus, quero usá-la com o egoísmo que tenho direito, quero assisti-la em minha mente a qualquer momento, sorrir revendo o filme da minha vida.

Mesmo desejando o individual, agradeço à insanidade compartilhada, às risadas, aos vexames, à amizade simples, mas insubstituível.

Vou, mas sigo feliz, realizada no gosto da loucura que encontrei por aqui, um misto de livro velho e mate.

sábado, 21 de abril de 2012

A PORTA VERMELHA


Uma porta vermelha fechada nos levou para uma outra dimensão. Ao adentrar aquele ambiente a meia luz a certeza de uma noite única surgiu.

A mistura de fumaças tornou o espaço mais convidativo, uma espécie de jardim secreto surgiu à minha vista, um espaço único cheio de seres fantásticos, a adorável bagunça cultural.

Discussões sobre os tons de voz, os bartenders peruanos que vivem na Europa e decotes incômodos preencheram a madrugada.

Uma Babel linguística surgia a plenos pulmões. Os melhores chamuyeros estavam soltos pelo lugar, suas ideias furadas e seus sorrisos diagonais arrancaram gargalhadas de nossos lábios, a famosa vergonha alheia estava clara em nossos olhares, porém a noite nos trás a licença poética dos bêbados e dos loucos.

Entre olhares reprovadores e poses em uma mesa de bilhar tomamos outro rumo, buscamos um novo lugar. Os paralelepípedos de San Telmo eram como a estrada de tijolos amarelos do Mágico de OZ, o silêncio das ruas foi rompido abruptamente pelo debate sobre o sim ser um não disfarçado, enquanto uma grande amizade de uma noite era selada.

Amendoins que surgiram como mágica, elogios na porta banheiro e a sensação de que as paredes foram pitadas com um amarelo pálido deram àquela loucura boa um gosto diferente, porém, mais uma vez os olhares reprovadores de "hasta luego" nos impulsionaram para a nossa estrada dourada.

Ao som das canções em nossas mentes nos despedimos dos nossos amigos da noite e guardamos em nossos pensamentos as imagens de uma vivência maravilhosa.

QUÉ PASÓ AYER???

Ao entardecer de um dia que parecia domingo, mas não era, as risadas ecoavam pela sala de estar. As memórias de uma noite lúdica brincavam com o ar daquele espaço desorganizado cheio de sapatos que sofreram a alegrias dos corpos que os possuíam.
Elas foram felizes, viveram cada instante como se fosse o último, fizeram de seus sorrisos o cartão de visitas perfeito para um bom papo e de seus conselhos, aos olhos curiosos que passavam, uma discussão.
Entre as lembranças de tombos, lágrimas, saltos estragados, amizades que duraram apenas uma noite e risadas, muitas risadas, aquelas meninas que trazem seu país nos olhos concluíram que não importa o que passou na noite anterior, mas sim com quem passaram a noite anterior.
Os dias passam e me despeço aos poucos de Buenos Aires, estou saindo como cheguei, vivendo e dando vexame.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A VOZ (ENCORAJADORA) DA DEPENDÊNCIA...


Depender sempre me causou uma sensação de prisão, de um futuro engessado, mas hoje, ao ouvir a leveza das palavras do outro lado da linha descobri que a dependência me trouxe uma coragem única.

Preenchi meus pulmões com todo oxigênio possível e esclareci minhas vontades, porém se não houvesse a crença no meu melhor lado, jamais permitiria que vissem o que considero uma grande fraqueza.

Não foi uma desistência dos meus sonhos, mas sim, um reajuste, moldei meu caminho novamente, mudei de opinião, porém não cometi crime algum, a voz grossa que vinha do outro lado do continente me disse isso, aquela voz que muitas vezes foi sinônimo de respeito somado ao medinho que todo filho tem, hoje me trouxe o conforto amigo.

As vezes esqueço dos 26 anos que se passaram, ignoro algumas atitudes, mas não por maldade, ignoro por causa da naturalidade, sempre foi assim, sempre houve uma cumplicidade nas entrelinhas, mesmo que muitas vezes o frio na espinha me forçasse a esconder certas opiniões por uma imposição social de que sempre estamos um nível abaixo, o tratamento igualitário impera desde os tempos primórdios de nossa relação.

Num primeiro momento, sua imagem alta e imponente me assustava, suas ideias as vezes fugiam do meu controle, mas seu jeito diferente dos outros que conheci o tornou mais especial. Nossa relação, aos olhos desconhecidos, pode parecer um tanto distante, porém basta o segundo de um abraço para que toda a intimidade real surja.

É, a ansiedade se transformou, saiu da ideia da desistência, para a busca por um novo futuro, novos desejos. Agradeço à voz que sempre me acompanhou, pois sem ela eu seria mais um ser perdido no mundo.

quinta-feira, 22 de março de 2012

PERSONAGENS PORTEÑOS: A DAMA DE AMARELO


"Interrompendo minha leitura ela adentrou o vagão com seu modelito ensolarado, um chapéu verde esparramado adornado por uma flor cor-de-rosa. Aquela dama de amarelo, com um sorriso imenso, fez da idade o seu melhor, utilizando da licença poética, que adquirira ao longo da vida, para desacelerar e iluminar aquele espaço úmido e escondido, cheio de pessoas em movimentação."

CAMINHOS QUE SE CRUZAM...


Nunca gostei de ler biografias, pois sempre achei a vida dos outro meio sem sentido para mim, mas uma amiga apaixonada pelas palavras, assim como eu, me presenteou com um livro sensacional, onde pude me encontrar.
Se reconhecer em um alguém desconhecido é uma tarefa difícil, mas me descobri em Patti Smith. Nunca tinha ouvido falar dela, pois minhas aventuras pelo mundo do rock são recentes, mas quando ganhei suas memórias me segurei durante muito tempo para não buscar um vídeo com suas músicas, queria conhecer seu mundo antes de escutar suas melodias, afinal eu sempre gosto mais das músicas do que dos músicos, acho que me apego demais as palavras, ignorando quem as emite.
O ato de sair da minha casa e me aventurar num espaço desconhecido me aproximou de Patty, ver uma estrutura social de fora, sendo que você a vive todos os dias é um experiência única, pois podemos enxergar cada detalhe, cada personagem que surge em nosso campo de visão, como num passe de mágica, mas registrar o que vemos é algo um tanto difícil.
Em Só Garotos (esse é o título), conseguia fechar meus olhos e ver cada personagem, cada cenário, as artes, as músicas, tudo o que passou no Hotel Chelsea, cada nascimento de um novo artista e morte dos grandes, dos ditos imortais.
Sei que soo um pouco romântica demais, que para muitos o ato de ver beleza e paixão num período tão louco como os anos 1960 e 1970 é muito complicado, afinal a maneira mais simples de se retratar a época é com o famoso "Sexo, drogas e rock'n roll", mas senti nas memórias de Patti uma certa leveza, uma beleza diferente, cheia de cores, cheia de vida, por mais que muitas dessas "vidas leves" tenha se auto destruído, tenho certeza que foram plenas, pois a qualidade da vida não se mede pelo tempo que vivemos, mas o que fazemos enquanto vivemos. Não sou juíza daqueles que se foram, mas defendo a liberdade, não importando aonde ela te leva, afinal nós que fazemos nosso caminho e temos que ter consciência de onde vamos e queremos chegar.
Como em tudo o que leio, a carga de dependência dessa união de letras me levou á uma lentidão absurda, pois a sensação de término me mata, a despedida das ruas de NY, das noites loucas no loft, dos amores e das amizades, me despedir de algo que não vivi. Mas nada me doeu mais do que me despedir do grande amor, me despedir da amizade mais linda que já tive conhecimento em toda a minha vida.
Agora escuto Patti cantar e com lágrimas umedecendo minha face me despeço dois (des)conhecidos que me acompanharam nos últimos meses.

"Muito já se falou sobre Robert, e outras coisas ainda serão ditas. Os rapazes imitarão seu jeito de andar. As garotas usarão vestidos brancos e chorarão por seus cabelos cacheados. Ele será condenado e adorado. Seus excessos serão malditos e romanceados. Por fim, descobrirão a verdade em seu trabalho, o corpo físico do artista. Isso não se afastará. os homens não podem julgá-lo. Pois é a Deus que a arte canta, e afinal pertence a ele."

(Só Garotos, Patti Smith)

sábado, 10 de março de 2012

PALAVRAS PERDIDAS...


Os primeiros sentimentos registrados são os mais importantes, afinal colocar em palavras o que sentimos, torna tudo mais real, ainda mais quando palavras simples, mas muito sinceras, perdidas na memória dos meus lindos dias. Passado lindo esse que me acompanha...




'Hoje encontrei na rua um rapaz vestindo uma camiseta com frases estranhas e engracadas, bermudas largas e tênis furado, uma visão totalmente monocromatica... naquele momento pensei de onde tinha surgido aquela figura diferente que me incomodava tanto... momentos depois lembrei do sonho da noite passada... era ele, o super heroi do meu sonho, um misto de poeta e revolucionário, o cara das mil expressões faciais, aquele que me salvou tantas noites... afinal, ele é real, ele existe... por alguns instantes não soube o que fazer, mas logo me dei conta de que encontrá-lo era um sinal de novos tempos viriam... hoje, o super herói não mora mais nos meus sonhos, mas sim em meu coração... e ele não poderia ser melhor, afinal foi feito sob medida pra mim.'