sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O DESCOBRIMENTO DA SAUDADE...


Após tanto tempo sem escrever, tive um momento de inspiração de Ano Novo. Estou viajando pela Argentina e pelo Uruguai e descobri um mundo totalmente diferente, com pessoas únicas, mas o mais interessante foi a descoberta da real saudade.
Durante os primeiros dias não me apeguei ao sentimento, precisava sentir tudo o que Buenos Aires me passava, o que cada prédio tinha visto, estava em busca da renovação das energias perdidas ao longo do ano. Mas após algum tempo me dei conta de como o humor matinal da minha mãe me faz falta, ou como ouvir minha vó dizer "que Deus te acompanhe" quando saio de casa é tão importante.
Esses dias tão longe de casa me ensinaram a conviver com pessoas de todos os tipos, mas uma delas me marcou mais que as outras. Seu nome, Harel, um rapaz falante, que conhece o português melhor do que muito brasileiro.
Durante uma de nossas conversas, o questionei sobre a saudade, a resposta que obtive foi maravilhosa, "carrego ela comigo todos os dias, não sei onde estarei amanhã, a única certeza que tenho é o dia que voltarei para minha casa", naquele momento me senti pequena perante a grandeza daquele menino ruivo cheio de histórias.
Acho que cresci, a cada momento em que pude conviver com pessoas como ele, neste momento penso na Janis Joplim, que disse em uma música que eu não lembro o nome que por mais que a noite chegue, os dias nunca acabam, nós podemos colocar limitações para ele, mas ele renasce sempre, espero que a manhã seja melhor.










Último post do ano, que segundo a Janis, nunca se acaba, afinal ao acordar estarei igual. Acho que neste momento devo ,ao menos, agradecer à todos pela paciência, pelo amor e pelos ensinamentos desses dias. Agradeço aos meus alunos, aos meus colegas de trabalho que se transformaram em amigos para a vida toda, à minha família, mas em especial ao melhor companheiro de viagem que eu poderia ter, Arthur.
Feliz Ano Novo por mais que nada mude, tenho certeza que a manhã será de sol.
Obrigada.

domingo, 21 de novembro de 2010

MEMÓRIA OLFATIVA...


Pela primeira vez senti de fato que ano está acabando, que estamos no meio do mês de novembro. Durante um passeio com o Bob, andei pelos jardins da praia e tive uma lembrança ativada pelo cheiro. Sei que sou muito estranha, mas sinto isso sempre, consigo lembrar das pessoas pelo cheiro, não estou falando apenas de perfume, mas de cheiro mesmo, pois acho que todos tem um cheiro próprio, como se fosse um registro que ganhamos ao nascer.
Mas, voltando às minhas memórias, num dado momento da caminhada uma brisa movimentou as árvores e liberou uma essência que só sinto no verão e que me remete às férias de verão, quando passavas os dias no prédio em que meu tio tinha apartamento.
O condomínio tinha um espaço imenso em que brincava-mos desde de esconde-esconde até jogos de tabuleiro. A turma era imensa, mas não me lembro os nomes, porém todos me marcaram de uma forma única. Lembro das tardes nas quais minha tia fazia um monte de coisas gostosas para comer e depois descia-mos correndo para brincar muito ou das brincadeiras no parquinho que era protegido por árvores, o cheiro da praia me lembrou esse parque. Aquele lugar parecia ter uma magia que fazia com que nossos dias fossem diferentes, maravilhosos, acordava ansiosa e pedia pra minha vó me levar lá. Mas que saudades daquele lugar.
Depois de tantos anos descobri que meu nariz tem memória, que ele é muito importante para as minhas lembranças, as vezes naqueles dias mais sem graça um cheiro ativa meu olfato de tal forma que faz com que meu corpo reaja, me sinto em uma máquina do tempo, onde consigo viver a minha infância em qualquer lugar, à qualquer momento, é como se eu lesse um capítulo do livro da minha vida, só para refrescar a memória sobre como foi linda a minha história até aqui.
Por isso aceitei viver plenamente, pois a gente só vive bem quando aceita as alegrias da vida, por mais que tudo esteja do avesso sempre terei o cheiro do parquinho para me lembrar de que tudo ficará bem.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

UMA CORDINHA...


Acordamos cedo, pois marcamos com um guia local uma visita às cachoeiras, cavernas e grutas dos arredores. A melhor parte de todas as manhãs que ficamos lá era o café da manhã, queijo minas, pão quentinho, suco de laranja natural, um bolo de coco delicioso e uma troca de olhares engraçados. Entre risadas e sussurros terminamos o café e fomos ao encontro do guia.
Tudo naquela viagem foi fora do padrão já vivido por nós, as conversas, os programas e as pessoas. Uma dessas pessoas era o menino que nos guiou durante a nossa "aventura" matinal. Quem poderia imaginar que conheceríamos lugares como aqueles com a ajuda de um adolescente que tinha um sotaque mineiro bem carregado, coisa que normalmente eu adoro ouvir, só reafirma a minha vontade de desbravar Minas Gerais.
Entremos em uma gruta com várias saídas, em outra que as paredes brilhavam e que tinha um cheiro leve que me lembram as músicas que escuto quando preciso relaxar em meio a multidão. Após visitar Sobradinho ("vila" próxima à cidade onde estávamos) fomos em direção à última parada de nosso passeio, a Cachoeira da Lua, local onde vários hippies vendiam os seus "trampinhos" (era assim que ele chamava os trabalhos feitos pelos hippies), mas também onde encontramos um visual magnífico e a água mais fria que já senti em toda a minha vida.
Muitos devem estar se perguntando onde quero chegar com essa história, mas devemos praticar a paciência, pois quem espera sempre sempre se cansa. (momento bobo)
No momento em voltamos para a estrada onde estava estacionado o carro paramos para olhar os famosos "trampinhos". A proposta era comprar dois pedaços de corda que amarraria-mos em nossos tornozelos. Naquele momento eu me senti estranha, nunca comprei coisas do tipo, não depois de achar que entrei na fase adulta, pois certos acessórios só me permiti usar enquanto era considerada uma adolescente, afinal ser jovem é ter liberdade poética para usar o que quiser, quando quiser e onde quiser, mas depois que todos nos olham como adultos, algumas coisas são "proibidas".
Voltamos para o carro, demos carona para um hippie ruivo, fotógrafo e cantor, que embalou a nossa volta com suas músicas sobre a cidade, sobre boiadas e um modo livre de ver as coisas, que vivia ali há 18 anos. Chegamos à cidade, vivemos mais algumas histórias e voltamos para a realidade de nossa cidade.
Alguns meses se passaram desde aquele dia, tudo mudou em nossas vidas, mas aquela cordinha continua amarrada em meu tornozelo. Sinto que é uma forma de relembrar daquele sentimento, daqueles momentos.
Mesmo vivendo tão intensamente a vida, as vezes uma simples cordinha pode segurar o maior dos sentimentos: a amizade.

AMAdurecer...


Após tanto tempo sem passar por aqui, dias sem nenhuma inspiração e muitos pensamentos transbordando de minha mente resolvi expor minhas "sábias" palavras neste espaço.
Esse feriado foi um tanto quanto diferente para mim. Pude presenciar o amadurecimento de muitas pessoas ao mesmo tempo, principalmente o meu. Vi uma de minhas primas e minha amiga de infância darem um passo muito importante em suas vidas: o casamento.
Antes que alguém ache que isso é comentário de menininha e que penso que as mulheres foram feitas para casar, não se enganem com os estereótipos impostos pela sociedade. A reunião de dois corpos e duas mentes que se entendem e por isso se amam é algo muito maior, porém resolvemos limitá-la à um título que não deixa claro a grandeza do fato.
Presenciei algo que um amigo vem tentando me mostrar há algum tempo, a cumplicidade que pode existir entre duas pessoas. Então na sexta feira comecei a amadurecer, primeiro psicologicamente, pois vi que as relações entre as pessoas não está baseada somente em dois seres, mas em muitos. Depois amadureci meu coração, percebi que algumas situações do passado devem ser deixadas para trás, elas impedem nosso caminhar, nos deixa estagnados, estacionados. Nessa noite entendi que alguns sentimentos, por mais que a vida os tenha adormecido , nunca morrem e que a qualquer momento eles surgem de uma maneira simples, num momento que achamos bobo, mas que a nossa presença faz a total diferença.
Depois de uma noite de sono mais do que merecida, voltei a analisar a vida, nunca paro de pensar e quando arrumo um assunto como esse, é como se ocorresse um vazamento na válvula de meus pensamentos que eu não consigo concertar.
No domingo ainda estava com essa hemorragia de pensamentos, por isso resisti a ideia de me jogar em outra experiência radical, mas lembrei que para manter viva uma amizade se faz necessário um sacrifício de vez em quando. Me troquei e segui meu rumo para recomeçar o amadurecer.
Ao chegar, me deparei com figuras maravilhosas da minha infância, pessoas que me construíram com suas ideias e palavras, senti que me arrependeria de não comparecer no evento. Alguns minutos mais tarde a vi entrar, seu sorriso e seu olhar me trouxeram um momento de nostalgia, uma lembrança boa dos nossos momentos de adolescência. Mais uma etapa cumprida: aceitei o fim da juventude adolescente, me vi uma jovem adulta.
Depois de tantos momentos de mudança, sinto que aceitei a ideia de que vivemos uma eterna transformação, porém ela pode ser difícil se abraçarmos a dificuldade, afinal a vida gosta de quem gosta dela.

sábado, 2 de outubro de 2010

SABOR (AZEDO) ADOCICADO DA SAUDADE...

1993, foi esse o ano em que me senti assim pela primeira vez, anestesiada, mas ainda sentindo dor. Mesmo depois de tantos anos ainda tenho a sensação de que vou entrar na cozinha e encontrá-la sentada na cadeira da cabeceira da mesa, me esperando para sentar em seu colo e mexer em suas rugas. Mas que saudades da vó Molinha!
Após a ida da vó Pascoa (Molinha) desejei nunca mais sentir uma dor como aquela, mas os anos se passaram e a chegada iminente de uma nova perda pairava em meu coração. Porém, diferente de quando eu tinha 7 anos, hoje percebo que mesmo com tristeza, posso encarar a morte com outros olhos. A saudade que sinto no momento e a tristeza da perda são balanceadas com a certeza de que ela foi em paz, de que findou seu sofrimento.
Hoje o mundo perdeu o brilho, um pouco do encanto da minha infância, do sabor único do feijão fresquinho e da couve mineira.
Sei que nossas vidas ganharão um vazio em alguns momentos, afinal nosso cérebro criará uma expectativa de que tudo não passou de um sonho ruim, de que a qualquer momento ela irá adentrar a sala dizendo "Miiro, vem comer", "Mas que linda, a Ni comeu tudo" ou "Filha fiz essa comida pensando em você, disse pra vó ' sei que a Andressa vem pra cá, então fiz aquela berinjela que ela adora', como a vontade viu!". É, ainda sinto o cheiro da cozinha quando nos reúniamos no Natal, lembro das conversas que embalavam os jogos de Tombola até altas horas, aquela risada que enchia o nossos ouvidos como se fosse música.
Por isso, hoje, venho por meio deste dizer até logo para uma certa mulher de olhos serenos da cor do céu da manhã e cabelos cintilantes como a luz do luar.
Digo até logo, pois não me permito dizer adeus à ela que é parte insubistituivel do que sou. Sei que quando menos esperar poderei reencontrá-la e esclarecer o motivo da minha ausência.
A lembrança funciona de uma forma engraçada, tem um gosto azedo adocicado do doce de abacaxi da minha vó, estranha o paladar, mas é delicioso.

"Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
(...)
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
(...)
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam... "
(...)
Pablo Neruda

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

AMOR, LOUCO AMOR...

Sabe aquele amor que traz aquela sensação de borboletas no estômago? Que nos faz passar o dia pensando nos olhares, nos carinhos? Aquele sentimento que faz o ar abandonar os pulmões de tanta saudade? Eu estou vivendo esse amor.
Há mais ou menos um ano passando pelo Gonzaga nossos olhares se cruzaram, naquele momento senti algo estranho. Meu coração bateu cadenciado, minhas mãos suaram de ansiedade, meus olhos não conseguiam se mover. Era ele.
No instante seguinte não entendi direito o que tinha acontecido, afinal, loiro dos cabelos lisos e extremamente carente?! Isso nunca combinou comigo.
Depois daquele sábado, voltei mais algumas vezes para encontrá-lo novamente. Certo dia, não aguentei mais e resolvi chegar mais perto. Descobri que ele senti o mesmo, nos abraçamos e voltamos juntos para casa. Sei que pode parecer rápido demais, mas moramos juntos desde o primeiro dia, sentia que tinha que protegê-lo.
As primeiras noites foram difíceis, pois ele não estranhou a cama, mas depois tudo fluiu, nos adaptamos ao espaço, nos moldamos um ao outro.
A cada dia que estávamos juntos nos tornávamos um ser só, adivinhando os momentos que o outro estava triste, sentindo a felicidade dos encontros no final da noite e o desespero do abandono matinal necessário.
Hoje me sinto completa, encontrei o meu louco amor.
É, pra quem nunca viveu isso, saiba que é maravilhoso, mesmo com as brigas, durante os momentos difíceis, aquele ser sempre está ao seu lado, te amando, te admirando e deixando claro apenas com o olhar que você é ÚNICO.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

SENSAÇÕES ADOLESCENTES...


Depois de um bom tempo e de algumas cobranças hoje tive um estalo, uma vontade absurda de escrever aqui.
Nesse final de semana passei por um momento único, reencontrei a minha turma do colégio. Foi maravilhoso, mas esse encontro me fez pensar em algumas coisas há muito paradas dentro de mim e como minha lembranças me perseguem, preciso exteriorizar tudo, antes que me consuma.
Sou muito ligada as pessoas da minha vida, mesmo àquelas que não me agradam muito, afinal não somos feitos só de amores. No momento em que me deparei com a possibilidade de rever todos aqueles personagens da minha história senti um pouco de medo (na realidade muito), pois todos temos alguns assuntos pendentes, sei que são assuntos de um passado adolescente, mas quem disse que a vida adulta começa aos 18 anos mentiu, sempre terei um quê aborrecente (como diria a minha vó) dentro de mim.
Ao adentrar o bar onde tínhamos combinado vi todos aqueles rostos familiares e consegui identificar cada um, cada sorriso e expressão, aquelas que enchiam as minhas manhãs com aquela emoção que só quem já se formou sabe do que estou falando, pois na época era um sentimento péssimo, uma vontade de mandar o mundo às favas.
A cada um que chegava era uma memória diferente que surgia, uma sensação familiar, um furacão de sentimentos, lembranças das discussões, dos amores, das amizades e das inimizades.
Ficamos horas conversando, contando nossas histórias adultas, as conquistas, as perdas. Alguns levaram os namorados, outros levaram os noivos (nossa, noivos, olha que loucura, aqueles que viviam relacionamentos no banquinho da praia em frente ao Mc Donalds vão se casar) e contavam sobre seus futuros lares, seus planos. O assunto fluiu, brindamos o momento, brinde que no passado seria feito com Coca Cola, agora era feito com uma bebida de gente grande, as risadas encheram o lugar com uma energia incrível, cantamos o hino que embalava todas os grandes eventos escolares, lembramos dos que não estavam presentes, vivemos cada segundo. Por alguns instantes nos permitimos voltar ao passado, que para alguns é assustador e para outros é reconfortante e no final da noite, na hora das despedidas, um a um fomos deixando o espaço e adormecendo as memórias. Os olhares esclareciam o que não era colocado em palavras:
"Foi bom enquanto durou, mas não somos mais adolescentes, até mais!!"